Sobreviveu Para Emocionar

Por Marlon Câmara

Não é fácil imaginar a experiência de ser vítima de um genocídio, como o ocorrido em Ruanda em 1994. Mais difícil ainda é realizar a existência de um sobrevivente que, mesmo tendo perdido a família e os amigos por uma causa inadmissível, tenha perdoado a todos. É o caso de Immaculée Ilibagiza, escritora do livro “Sobrevivi Para Contar”, que esteve no teatro Oi Casa Grande no dia 10 de outubro para apresentar a sua história e transmitir sua mensagem de vida, a convite do Grupo Silvia Aquino com a colaboração do Instituto Ekloos.

Como se a presença da ruandense não fosse emocionante por si só, sua fala foi precedida pela apresentação da Banda Filarmônica do Rio de Janeiro, que em uma bela performance de O Guarani, abriu o evento para as mais de mil pessoas presentes na ocasião.

Immaculée, ao iniciar sua palestra, deixou clara a felicidade que sentia por estar no Brasil, dizendo ser um sonho realizado e que, aqui, ela se “sentia em casa”. E, assim, falou sobre sua história, desde seu nascimento em Ruanda até o momento em que se encontrou em um banheiro minúsculo com outras sete mulheres, onde permaneceu escondida por 91 dias. Segundo a própria, sua sobrevivência só foi possível graças a sua vontade de viver e a sua fé. Enquanto esteve confinada, Immaculée orou todos os dias para que não fosse encontrada, enquanto era informada pelo rádio que sua tribo havia sido praticamente dizimada, o que incluía a sua família e muitos de seus amigos.

Mas a realidade pós-genocídio era tão cruel quanto o próprio genocídio em si. Com o fim da perseguição da sua tribo, Immaculée encontrou uma Ruanda com corpos por todas as partes, e já sabia que não poderia encontrar vivas as pessoas mais próximas a ela. Porém, a convidada fez questão de compartilhar o seu perdão por todos aqueles que agrediram toda a sua tribo e todas as pessoas que ela amava. Como exemplos de sua perseverança, a palestrante contou como aprendeu inglês durante seu confinamento, através de um livro e um dicionário, e como surgiu a oportunidade de publicar seu primeiro livro, que contava toda a sua dura trajetória.

Ao finalizar sua apresentação, Immaculée pôde assistir à homenagem da Banda Filarmônica que, acompanhada da bateria mirim da Beija-Flor, tocou Aquarela do Brasil, finalizando uma noite arrepiante. Mas o desempenho emocionante dos músicos foi somente uma última comoção para os presentes, já que Immaculée Ilibagiza, com sua incrível história de vida e sua simpatia, já havia encantado a todos.

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