Pesquisas mostram que investir em sustentabilidade é sustentável

Por Felipe Machado*


A sustentabilidade é tema cada vez mais discutido no planejamento da economia mundial. Pode ser entendida como a busca pelo desenvolvimento econômico sustentável no futuro. Para atingi-lo, além de se buscar o crescimento econômico, torna-se necessário respeitar os limites ambientais e solucionar os problemas sociais.

Fonte: Google
No mundo corporativo o tema da sustentabilidade está inserido no conceito de Responsabilidade Social Corporativa (RSC), que pode ser entendido como a busca por boas práticas nas relações da empresa com o meio ambiente e a sociedade. A crescente pressão da sociedade e do governo por padrões ético-morais na relação das empresas com suas partes interessadas as posiciona em um novo cenário de riscos e oportunidades, o que na prática tem representado, em muitos casos, o sucesso ou fracasso dessas organizações. Seguindo esta tendência a RSC deve sair da esfera da filantropia para realmente influenciar nos resultados das corporações. Investidores institucionais, que detêm grande parte dos ativos das empresas, vêm observando os aspectos de RSC em suas decisões de investimento.

Uma recente pesquisa desenvolvida pela US Trust revelou que metade dos investidores de alta renda leva em consideração o impacto social e ambiental como uma parte importante na tomada de decisões de investimento (acima de 45%, em 2013). Seis em cada dez destes investidores acreditam que a maneira como eles investem pode ter uma forte influência sobre a sociedade. Dois terços creem que o capital privado de investidores socialmente motivados é uma maneira de ajudar a manter as empresas públicas e governos transparentes com relação a suas ações e resultados.

Ainda segundo tal estudo, 75% da geração dos “millennials” e 63% das mulheres entrevistadas acreditam que as suas decisões de investimento são uma maneira de expressar seus valores sociais, políticos e/ou ambientais. Ainda se levantou que 29% dos “millenials” acredita que o uso mais importante de sua riqueza está em promover mudanças do mundo a partir da busca por soluções para os principais problemas mundiais.

De acordo com outro artigo, disponibilizado pela Merrill Edge, em 2013, investidores institucionais, que juntos detêm 15% do total de ativos disponíveis mundialmente, estavam comprometidos com estratégias de Responsabilidade Social Corporativa. Se considerarmos apenas os ativos geridos por investidores institucionais globalmente, os números são ainda mais expressivos: 61%. Isso quer dizer que a maioria dos investidores institucionais querem investir em empresas com ações de responsabilidade social que vão além da filantropia, mas que são fruto de um estudo detalhado de como gerar mais impacto. (MERRILL EDGE, 2014 e P&I, 2014).

Ainda segundo o estudo da Merrill Edge, investimentos em carteiras compostas de companhias “altamente sustentáveis”, entre 1992 e 2010, teriam superado investimentos em carteiras de um grupo de controle em 47%. Estudo semelhante, publicado por ROCHAMAN, R., mostrou que, no Brasil, para um período de 72 meses, fundos de investimento que consideram padrões de RSC superaram em quase 16% o retorno do fundo referência da Bolsa de Valores brasileira (ITAÚ ASSET MANAGEMENT, 2013).

Os resultados destas pesquisas demonstram a perspectiva de um novo cenário de investimentos para o futuro, onde empresas sustentáveis terão mais sucesso com investidores, consumidores e com a sociedade, garantindo um futuro melhor para seus negócios e para o planeta. A visão do curto prazo perde importância em uma perspectiva de investimentos em empresas que se preocupam com a sua sustentabilidade no longo prazo, ótica esta diretamente alinhada com o desenvolvimento sustentável da economia, como um todo, para as próximas gerações.


Fontes:

BANK OF AMERICA, Merrill Lynch and U.S. Trust Sign the United Nations Principles for Responsible Investment. 2015. Disponível em: http://newsroom.bankofamerica.com/press-releases/environment/merrill-lynch-and-us-trust-sign-united-nations-principles-responsible-inv.

IAM, White Paper - Integração de questões ESG na avaliação de empresas. 2013. Disponível em:http://www.itauassetmanagement.com.br/_arquivosestaticos/Asset/pdf/WhitePapers/White_Paper_ESG_Port.pdf.

MACHADO, F., Análise de práticas de Investimento Responsável por gestores de recursos no Brasil com base em Relatórios de Transparência em IR – PRI 2013-14. Instituto de Economia, UFRJ, Rio de Janeiro, 2014.

MERRILL EDGE, Socially responsible investing: Aligning your principles with your investing goals.2015. Disponível em:https://www.merrilledge.com/article/socially-responsible-investing-aligning-principles-with-investing-goals.

PENSIONS & INVESTMENTS, Global AUM up 8% in 2014; institutional inflows flat. 2014. Disponível em: http://www.pionline.com/article/20150707/ONLINE/150709931/global-aum-up-8-in-2014-institutional-inflows-flat.

*Felipe Machado é Coordenador de Projetos Sociais no Instituto Ekloos

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