VOTAÇÃO DO CONCURSO DE CONTOS "Um passeio inesquecível"

Apresentamos o conto "Um passeio inesquecível", da autora Juliana Perazzini de Sá (adulto).

Leia aqui o conto na íntegra. Para votar, é só curtí-lo Um passeio inesquecível no Facebook 
(infelizmente curtidas em páginas compartilhadas não poderão ser contabilizadas)



Um passeio inesquecível
Fazia uma bela manhã na Cidade Maravilhosa: pássaros voando, crianças brincando e eu... ESTUDANDO! Mas que grande ironia, não é mesmo? Tantos dias na semana para o Sol aparecer e justamente no dia em que eu resolvo estudar, a temperatura chega na casa dos 40 graus! Pode-se dizer que é uma grande falta de sorte, mas quando se trata de Matemática nada me surpreende.


Meu nome é Luna, tenho 16 anos, não tenho irmãos, sou carioca da gema e, pelo que me parece, estou por um triz em Matemática. Meus testes finais são em uma semana e, bem, eu não diria que estou cem por cento preparada para eles. Para melhorar a tensão, meus pais estão comemorando 25 anos de casamento e, com isso, devem estar nesse momento embarcando em um cruzeiro magnífico à caminho da Grécia. Estou feliz pelos dois, de verdade, mas essa viagem não poderia vir em um momento melhor? Enfim, eles me deixaram aqui na casa da vó Luzia, na Urca, há uma meia hora e, desde então, sofro com o calor e a falta de vontade de decorar fórmulas difíceis.
- Lua, querida, preparei um almoço divino para nós duas! - Dizia minha avó ao adentrar o cômodo que seria meu quarto durante a semana.
- Vovó, já lhe falei que meu nome é LUNA e, não, Lua! - Informei-a rindo e recebendo uma risada gostosa como resposta. - Estou indo em um minuto, só vou terminar a conta e te encontro na sala, Tudo bem?
- Tudo sim, só venha rápido minha neta, já que a comida corre risco de esfriar.
Enquanto ela se retirava do aposento, finalizei o cálculo e me levantei da escrivaninha branca em que me encontrava. Ao levantar, me deparei com a janela e por ela vi o Pão de Açúcar, graciosamente funcionando e com os inúmeros turistas se
aventurando. Sempre gostei de visitar a minha avó, a vista daqui é esplêndida! Cheguei à sala e encontrei um banquete maravilhoso:
- Nossa vovó, o cheiro está incrível! - Exclamei.
- Fiz especialmente para você, netinha! Para comemorar sua estadia e para você ficar feliz, já que está vendo tantos números. - Disse Vó Luzia risonha.
- Muito obrigada, estava divino o sabor da comida. Realmente, com tantas contas e números, estava precisando de mais energia... - Falei desanimada.
Minha avó me olhou pensativa tentando encontrar uma maneira de me animar. Olhou a janela perto da mesa em que nos encontrávamos e exclamou, anunciando a sua ideia:
-Já sei querida! Que tal dar um passeio pela Urca hoje? O dia está lindo... Poderíamos ir ao Bondinho e apreciar a vista do Pão de Açúcar e também conversar bastante! O que me diz? - Ela parecia tão entusiasmada, levando em conta que não fazíamos passeios juntas há bastante tempo. Seria adorável sair um pouco daqui e aproveitar o dia mas, infelizmente, eu possuo um medo ridículo de altura e por isso, meus pais nunca tinham me levado ao Pão de Açúcar antes... Como assim uma carioca nunca foi visitar um dos pontos turísticos mais famosos de sua cidade? Absurdo, não é mesmo? Eu sei disso, porém toda vez que eu tomo coragem para ir, desisto sem antes mesmo subir no bondinho. Apesar de possuir uma beleza incrível, nem mesmo essa me distrai do que vem a seguir, que é perceber o quão longe está o chão. E além desse problema básico de medo, tinha o fator estudo. Se meus pais descobrissem que eu, ao invés de estudar, fui passear com a minha avó e que, consequentemente, ia reprovar Matemática; estaria de castigo eternamente sem ver a luz do Sol de novo. Um pouco dramática? Talvez. Mas nada ia me fazer mudar de opinião, eu tinha dois convincentes argumentos:
-Poxa Vovó, hoje com certeza não vai dar, eu tenho um teste muito difícil de Matemática chegando e se eu não estudar, vou reprovar. A senhora não quer ter uma neta em apuros, quer? - Argumentei fazendo a minha melhor cara de cachorro que caiu da mudança. Porém a minha vó não é conhecida como uma pessoa que desiste tão fácil e logo rebateu dizendo que eu poderia estudar após o passeio, já que o teste estava '' chegando'' e não era no dia seguinte.
Tentei apelar para o meu medo de altura, mas devido à experiência de anos da minha avó em psicologia, ela conseguiu provar que se um medo te impede de fazer alguma coisa boa para si mesma é porque ele já não está saudável. Com isso, fomos as duas, eu aceitando a minha nota baixa mas feliz e ela toda sorridente, ao famoso Pão de Açúcar. Chegando à base do mesmo, na Praia Vermelha, já me tremia toda. Minha avó percebendo a minha hesitação, disse:
-Luna, quando se está com medo, a melhor coisa a se fazer é respirar fundo e pensar em coisas felizes. Qual é a lembrança da sua vida que te deixa mais alegre? - Indagou Vó Luzia.
-Bom, nunca havia pensado nisso... Mas quando eu mentalizo momentos alegres, eu sempre me lembro de praias. - e ao dizer isso me veio à cabeça uma memória muito feliz da minha infância. - E com praia, eu me recordo do meu aniversário de cinco anos, que foi um dia todinho aproveitado na praia de Copacabana junto aos meus pais. Nós três andando pelo calçadão, sorrindo e felizes, com certeza é a memória escolhida.
-Ótimo, minha neta! Agora toda vez que o medo estiver te vencendo, feche seus olhos, conte até dez e imagine essa cena! Com certeza o medo irá sair correndo! - Disse ela sorrindo.
Ainda nervosa e um pouco insegura, prosseguíamos o nosso caminho na fila para pegar o primeiro bondinho, que nos levaria ao Morro da Urca. Quando dei por mim, éramos as próximas da fila.
Tentava lembrar-me do que minha avó havia me dito, mas sentia meu coração querer sair pela boca.
Entramos no espaço do bondinho e eu corri para ficar perto de uma barra de apoio, não me atrevendo a olhar para baixo. Quando o mesmo começou a se locomover, não aguentei e segurei a mão da minha avó, como uma criancinha assustada. Aos poucos fui me acalmando e percebendo que, na verdade, andar de bondinho era bem seguro e possuía uma vista estonteante!
Chegando ao Morro da Urca, aproveitamos a brilhante vista juntas, conversando sobre amenidades e localizando cada ponto do Rio. Após esse momento, continuamos nossa aventura indo em direção ao próximo bondinho. Foi uma viagem amena e eu nem me lembrava mais do que era sentir medo.
Chegar ao topo do Morro do Pão de Açúcar foi um marco em minha vida. Nunca pensei que fosse um dia superar meu medo para, assim, ver essa beleza exuberante da paisagem carioca. Sou mais do que grata à minha avó por ter me convencido à relaxar um pouquinho e esquecer da minha prova, temporariamente, para poder vivenciar de perto essa maravilha que é poder morar nessa cidade abençoada.

Com o nosso passeio terminado, de forma estupenda, voltamos para casa felizes da vida e realizadas.E eu, então, retomei os meus estudos em paz com o meu ser e com mais orgulho de ser carioca do que nunca, nesse dia tão belo que se fazia na Cidade Maravilhosa.


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