VOTAÇÃO DO CONCURSO DE CONTOS "A estrela solitária"

Apresentamos o conto "A estrela solitária", do autor SERGIO PORTO DA COSTA MATTOS (adulto).

Leia aqui o conto na íntegra. Para votar, é só curtí-lo A estrela solitária no Facebook
(infelizmente curtidas em páginas compartilhadas não poderão ser contabilizadas)


A ESTRELA SOLITÁRIA
Acordou e começou a arrumar a casa. Vivia sozinha no Rio de Janeiro, no mesmo apartamento em Botafogo de seu duradouro casamento, desde que enviuvou de Guilherme. A filha morava no interior de São Paulo e lhe dera duas netas, que ela ajudou a cuidar no primeiro ano de cada uma. Mas retornava sempre para casa e ficava à distância curtindo o crescimento das duas. As visitas eram esporádicas e sempre dela, pois a filha médica estava comprometida ora com sua agenda de consultas e urgências, ora com as aulas na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto.


Desta vez, as netas viriam passar com ela um período para conhecer melhor a cidade e irem aos jogos olímpicos que realizar-se-iam pela primeira vez na América do Sul. Ela compra ingressos pela internet para as provas de atletismo, pois mostraria de uma só vez o incrível Usain Bolt e o estádio do seu glorioso Botafogo. E também para o Maria Lenk, nas provas de nado sincronizado.   De olimpíada presencial era o bastante. No mais seria explorar a Cidade Maravilhosa. Preparava tudo com cuidado, deixando o quarto de hóspedes pronto para recebê-las com nova pintura, novas colchas e lençóis.  
Foi receber as netas no Santos Dumont: Giovana e Luisa, duas belas moreninhas de 10 e 15 anos, respectivamente.
O primeiro passeio foi na proximidade do bairro, pegaram as bicicletas de aluguel na Estação Voluntários da Pátria. “Vó, você também ainda anda de bike?” “Claro”, confirmou vó Regina, providenciando o aluguel de três bicicletas mediante o uso do cartão de débito.  Dirigem-se com cuidado, atravessando as pistas, em direção à Ciclovia Mané Garrincha. Lá ela apressa-se em contar a história do mito botafoguense, homenageado pelo apelido com que era conhecido o jogador das pernas tortas o qual fazia a alegria das torcidas.
Vão em direção à Urca. Quando passam, quase 11 horas, pela curva do Morro da Viúva, face norte do Pão de Açúcar, ela comanda uma parada.
– O que foi, vó? Cansou?
– Quero lhes mostrar uma coisa. Olhem para aquele paredão. – diz, apontando para o Pão de Açúcar. – O que estão vendo naquela sombra?
– Parece um pássaro! – diz Giovana rapidamente.
– Um pássaro com pescoço esticado pra cima. – completa Luisa.
– Esse pássaro é igual a uma íbis, pássaro que não temos aqui, mas era comum no Antigo Egito, tido como um pássaro sagrado. E na mitologia egípcia há uma imagem de um gigante, representando a humanidade, deitado, tendo aos pés, acorrentada, a íbis. Acontece que o relevo carioca visto do oceano apresenta a silhueta montanhosa de um gigante deitado, onde a cabeça é a Pedra da Gávea, o tronco é o Maciço da Tijuca (e falando baixinho com um sorriso maroto) em que o Corcovado é o pênis (“vó!!!”, exclamam rindo) e o pé é o Pão de Açúcar. Então diz a lenda que muito antes do nascimento de Cristo os egípcios estiveram por aqui, viram essa imagem e voltaram com essa versão mitológica. Já pensaram? Muito antes de vocês o Rio recebeu os primeiros turistas!
– Vó, você sabe cada história... Vamos amanhã ao Pão de Açúcar?
– Vamos, vamos! – grita Giovana.
No dia seguinte, de manhã, rumam as três para a estação da Praia Vermelha, na Urca. Giovana acordou muito cedo e desde logo, excitadíssima, chama as duas que se levantavam preguiçosamente, pois queria pegar o primeiro bondinho, às 8:10h. Chegaram cedo, mas nem tanto quanto ela queria. E com tantos turistas pela cidade e sendo esse um dos pontos turísticos mais requisitados, o cartão postal carioca, a fila está enorme. Precisarão de muita paciência, embora o primeiro trajeto de 538m seja percorrido em 6 minutos, levando de cada vez 65 pessoas no bondinho, é muita gente esperando. Com o público das Olimpíadas a procura foi exponencial.
Muita demora na fila, as meninas começam a ficar impacientes. E reclamar!
Vó Regina então dispara:
– Vocês sabem o porquê do nome de Pão de Açúcar? Continua: E o nome do primeiro morro que vamos chegar?
– O morro é Cara de Cão e foi entre ele e o Pão de Açúcar que Estácio de Sá lançou o que seria o fundamento da cidade, pois oferecia mais segurança tanto pela posição que lhes permitia ter uma visão privilegiada de embarcações que se aproximavam da entrada da baía de Guanabara, quanto pela situação favorável para se defender de invasores.
– E o nome do Pão de Açucar? – pergunta a esperta e atenta Giovana.
– Os portugueses plantavam a cana açúcar que era espremida, o caldo fervido e apuravam blocos de açúcar, colocados em uma forma de barro cônica a que chamavam de pão-de-açúcar e que assim era levados para a Europa. Ora, como a rapadura tinha a mesma cor e formato da pedra acabou dando-lhe o nome.
– Interessante!
– Vó você tá parecendo minha professora de História! – falou Luisa, num muxoxo.
– Então vou lhes contar uma história que não está nos livros, uma história da vida:
“Era muito cedo. Eles estavam absortos, cruzaram-se na Marques de Abrantes sem se notarem e sem saberem que tinham o mesmo destino. Ele, solitário convicto, subiria o paredão sul do Pão de Açúcar, pra pregar uns grampos que facilitariam a escalada dos montanhistas do CMRJ. Ela foi de bondinho. Fila e mais fila. Demoras nas duas estações, pois na época os bondinhos tinham menor capacidade e eram mais lentos. Porém, nada mais a importunava. No alto, subiu na amurada num ponto menos procurado, lado do oceano. Gui emergiu na pedra. Olharam-se. Sorriram...”

– Vô Gui?!?! Abraçaram-se com a avó... E foram assim abraçadas, sem reclamar, até chegar à vez...

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